Nanda esticou a pele ao redor do olho. Envelhecia
descaradamente. Abafou o suspiro, não queria admitir isso para si mesma. Tantos
anos tinham passado, inúmeros projetos feitos e refeitos, tantos amores
perdidos... E ela envelhecia na cidade suja. Agora desprovida de sentimentos e
sonhos, Nanda caminha para o closet onde procura o vestido preto básico.
Combinara de tomar uma cerveja com as amigas, afinal era sexta-feira. Seu
empreguinho de operadora de caixa ao menos lhe permitia algumas horas em
companhia de uma cerveja boa e de amigas ruins. Eram outros que envelheciam,
seus amigos. A juventude há tempos fugira de seu cotidiano, lhe obrigado a
ficar com os que tinham se deixado derrotar. Enfim, Nanda estava infeliz. Nanda
estava melancólica. Nanda estava velha.
Decidiu ir a pé, embora o bar ficasse a 1 km e meio de
distância. O céu estrelado e a lua gigante não conseguia animá-la. O que
acontecera, ela se viu perguntando. O que diabos eu fiz da minha vida? Eu não
era a “menina prodígio”, a que teria um futuro brilhante pela frente?
Nada lhe restava, nem sequer o amor próprio.
No bar fingiu rir, fingiu estar bem, fingiu se importar com
suas colegas. No fundo todas elas eram iguais: Frígidas.
No fundo, Nanda pensou, todas elas estavam ficando velhas.
- Meu Deus – Nanda
falou em voz alta o bastante para deixar suas amigas confusas – eu estou
ficando velha.